Brasil novamente fora do Mapa da Fome: conquista histórica marca virada social em tempo recorde

Foto: Roberta Aline / MDS

Em apenas dois anos, país reverte cenário crítico e reduz subalimentação para menos de 2,5% da população, segundo relatório da ONU. Políticas públicas integradas foram decisivas.

O Brasil está oficialmente fora do Mapa da Fome da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO/ONU). O anúncio foi feito nesta segunda-feira (28), em Adis Abeba, Etiópia, durante a 2ª Cúpula de Sistemas Alimentares da ONU. O resultado é baseado na média trienal de 2022 a 2024, que aponta que menos de 2,5% da população brasileira vive em situação de subnutrição — abaixo do limiar que define presença no Mapa da Fome.

A reversão ocorre após um dos períodos mais críticos da fome no país, em 2022, e foi alcançada com dois anos de políticas intensas do governo federal, especialmente por meio do Plano Brasil Sem Fome. “Essa era a primeira meta do presidente Lula: tirar o país do Mapa da Fome até 2026. Conseguimos em dois anos”, afirmou o ministro Wellington Dias (Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome). “Não há soberania sem justiça alimentar. E não há justiça social sem democracia”, declarou.

Essa é a segunda vez que o Brasil sai do Mapa da Fome sob a liderança de Lula. A primeira foi em 2014, após mais de uma década de políticas sociais robustas. O retrocesso, porém, começou em 2018 com o desmonte de programas sociais, que fez o país retornar ao mapa da insegurança alimentar no triênio 2018-2020.

O novo relatório da FAO, O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Mundo 2025 (SOFI 2025), mostra que os avanços mais recentes estão diretamente ligados a políticas públicas integradas: fortalecimento da agricultura familiar, aumento do emprego, valorização do salário mínimo, investimento em qualificação profissional e ampliação do acesso à alimentação escolar.

Dados da Escala Brasileira de Insegurança Alimentar (Ebia), utilizada em pesquisas do IBGE, revelam que cerca de 24 milhões de brasileiros saíram da insegurança alimentar grave até o fim de 2023. A pobreza extrema também despencou: caiu para 4,4% em 2023 — menor nível da história. Já em 2024, o desemprego atingiu o menor patamar desde 2012 (6,6%), e o índice de Gini, que mede a desigualdade de renda, recuou para 0,506, o menor da série histórica.

Além disso, o crescimento da renda do trabalho dos 10% mais pobres (10,7%) superou em 50% o ritmo de crescimento observado entre os 10% mais ricos, refletindo uma melhora na equidade econômica. Outro dado relevante é que quase 99% dos empregos formais criados em 2024 foram ocupados por pessoas registradas no Cadastro Único, sendo a maioria beneficiária do Bolsa Família.

O resultado é reflexo direto do conjunto de programas como o Bolsa Família, Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), Cozinhas Solidárias, Pronaf (crédito à agricultura familiar), além do reforço na alimentação escolar e estímulo ao empreendedorismo. Com mais emprego e renda, um milhão de famílias deixaram o Bolsa Família em julho de 2025 por terem superado a linha da pobreza.

No cenário internacional, o Brasil também avança. A Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, proposta durante a presidência brasileira do G20 em 2024, já reúne mais de 100 países e organizações globais, buscando expandir modelos bem-sucedidos de combate à fome para o mundo todo. “O exemplo brasileiro pode ser adaptado em muitos países. No Brasil, sair do Mapa da Fome é só o começo”, concluiu o ministro.

“Essa vitória é fruto de políticas públicas eficazes, todas atuando juntas para um Brasil sem fome e soberano.” — Wellington Dias

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