Em recuperação judicial, Ambipar acusada de falhar na gestão do lixo em Noronha

Foto: Ana Clara Marinho/TV Globo

Desde que a Ambipar assumiu a gestão dos resíduos sólidos em Fernando de Noronha, em agosto, diversas falhas têm mostrado que a empresa não estava preparada para o serviço.

Os problemas vão do acúmulo de lixo à precarização das condições de trabalho dos funcionários. Em dois meses de operação, os funcionários já fizeram uma paralisação, a população tem várias queixas, e a administração da Ilha notificou oficialmente a empresa sobre as falhas.

A Ambipar está operando na Ilha com número de funcionários abaixo do que está estipulado no contrato firmado com o Governo do Estado, e ainda vem efetivando demissões na equipe.

A situação, que vem sendo denunciada desde o mês passado, permanece sem solução. E só agrava: nesta semana a Ambipar entrou em recuperação judicial no Brasil e nos Estados Unidos, com uma dívida de R$ 10 bilhões. Isso levanta dúvidas sobre sua capacidade de investir o necessário para prestar o serviço especializado de gestão de resíduos que requer o arquipélago, reserva natural e um dos principais destinos turísticos do país. Lembrando que a licitação vencida pela empresa para operar em Noronha continua sob investigação do Tribunal de Contas do Estado. Segundo moradores e comerciantes da ilha, há pelo menos cinco mil toneladas de lixo acumuladas. A usina de reciclagem, que deveria ser um dos pilares da política ambiental local, opera de forma parcial, sem capacidade de dar vazão ao volume de resíduos gerado diariamente por moradores e turistas.

GREVE

Foto: Ana Clara Marinho/TV Globo

O número de funcionários atuando na coleta de lixo em Noronha é menor do que o estipulado no contrato de prestação de serviços. A Ambipar alega que as instalações não comportam a todos, e está tomando providências sobre isto. Porém, a justificativa é mais um demonstrativo de que a empresa sediada em São Paulo não se preparou devidamente para assumir o serviço – do contrário, teria providenciado novos alojamentos previamente.Os trabalhadores denunciam condições precárias. Há sobrecarga devido ao número inferior de pessoal – e a empresa ainda tem feito novas demissões. O alojamento é inadequado: além de estar em péssimas condições, é localizado perto demais da usina onde o lixo está acumulado, o que gera mau cheiro, a presença de insetos, roedores e outros animais. Outro problema grave diz respeito aos EPIs – Equipamentos de Proteção Individual obrigatórios. Os funcionários denunciam que eles são insuficientes e de baixa qualidade. Por fim, reclamam de diferenças salariais injustificadas entre profissionais que exercem as mesmas funções. Diante desse cenário, há ameaças de paralisação por parte da equipe. No dia 14 de outubro houve uma paralisação por duas horas, em protesto.

ATÉ O TRÂNSITO

A desorganização também atinge diretamente a rotina dos ilhéus. O horário tradicional de coleta de lixo, mantido por anos, foi alterado. Atualmente não há regularidade. A coleta às vezes ocorre em horários de pico, como no almoço, comprometendo o trânsito nas vias estreitas do arquipélago.

Moradores também se queixam de muitas moscas. Resultado do lixo acumulado. É corrente a sensação de que a empresa não se preparou para operar em um lugar como Noronha, que exige planejamento, sensibilidade ambiental e respeito à comunidade. E a ilha, um dos principais cartões-postais do Brasil, segue sufocada pelo lixo.

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