Liana Cirne denuncia 15 cidades ao MPPE e TCE por não pagarem piso aos professores
Foto: Divulgação
As representações foram construídas a partir de uma escuta de alguns sindicatos e a categoria
A vereadora do Recife e professora de direita da UFPE, Liana Cirne (PT), protocolou nesta segunda-feira, 25 de maio, representações contra 15 municípios pernambucanos por descumprimento da Lei Federal nº 11.738/2008, que institui o piso salarial nacional do magistério público da educação básica. As denúncias foram encaminhadas simultaneamente ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE) e ao Tribunal de Contas do Estado (TCE-PE), com pedidos específicos conforme as atribuições de cada órgão.
Os municípios denunciados são: Bezerros, Bom Conselho, Cabo de Santo Agostinho, Camaragibe, Caruaru, Casinhas, Gravatá, Itamaracá, Lagoa dos Gatos, Olinda, Quipapá, Riacho das Almas, Salgadinho, São João e São Lourenço da Mata.
As representações integram o “Pisômetro”, iniciativa criada pela parlamentar para fiscalizar o cumprimento do piso nacional do magistério nos municípios pernambucanos. As denúncias foram construídas a partir de uma escuta qualificada realizada em 14 de abril de 2026, reunindo professores de mais de 40 cidades do estado, incluindo municípios da Região Metropolitana do Recife, Agreste e Sertão.
Segundo Liana Cirne, o objetivo é garantir a valorização dos profissionais da educação e cobrar o cumprimento da legislação federal por parte das gestões municipais.
“Se depender do nosso trabalho, nenhum professor ou professora ficará sem o piso”, afirmou a parlamentar.
As denúncias apontam diversas irregularidades, entre elas a aplicação de reajustes abaixo dos índices nacionais, pagamento de salários inferiores ao piso, utilização de gratificações para simular cumprimento da lei, desestruturação de planos de cargos e carreiras, ausência de progressões funcionais, imposição de jornadas superiores às previstas em edital sem remuneração correspondente e atraso na atualização do piso salarial por períodos que chegam a seis anos em alguns municípios.
Também são relatadas possíveis irregularidades na gestão de recursos do FUNDEB, descontos tributários considerados excessivos e denúncias de retaliação contra professores que reivindicam direitos.
Entre os exemplos citados nas representações, Bezerros teria aplicado reajuste de apenas 18% em 2022, enquanto o índice nacional do piso naquele ano foi de 33,24%. Já em Salgadinho, professores estariam recebendo cerca de 78% do valor devido pelo piso nacional.
Ao Ministério Público, a vereadora solicita a instauração de procedimentos investigatórios e eventual adoção de ações civis públicas para assegurar os direitos coletivos dos profissionais da educação.
Já ao Tribunal de Contas do Estado, os pedidos incluem a realização de auditorias e fiscalizações, emissão de determinações e recomendações para adequação das gestões municipais à legislação vigente, além da possível responsabilização de gestores por irregularidades e atos de improbidade administrativa.
Publicar comentário